Suas chances de ser atingido por um raio em 2013 foram de 1 em 600 mil, aproximadamente.

O Brasil é o país com a maior incidência de raios do planeta: estima-se que cerca de 50 milhões de descargas atinjam o país todo ano. Só no ano passado, 130 pessoas morreram e mais 200 ficaram feridas em acidentes envolvendo a atividade elétrica da atmosfera.

A Ciência teve grandes contribuições no estudo dos fenômenos meteorológicos e, hoje, é possível prevê-los e estudá-los com maior precisão. Mas para alguns eventos raríssimos simplesmente não existe explicação oficial, e eles muitas vezes são confundidos com ovnis ou aparições paranormais.

Talvez o exemplo mais conhecido seja o raio globular. Uma esfera brilhante que reportadamente gira, zune, atravessa paredes e flutua até explodir: não é difícil imaginar por que fenômenos desse tipo quase sempre são associados ao sobrenatural. O raio globular é tão raro que nunca pôde ser estudado com profundidade -alguns céticos duvidam até mesmo da sua existência. Na semana passada, um grupo de pesquisadores chineses registrou, pela primeira vez na História, a ocorrência do relâmpago esférico em câmera e espectrômetro. Segundo o relatório da equipe, foi detectada a presença de elementos do solo na esfera de energia em toda a sua duração, o que reforça a teoria mais aceita hoje de que o raio globular é causado pela combustão de partículas minerais lançadas ao ar após a queda de um raio. O registro ocorreu de forma completamente acidental, enquanto os cientistas analisavam a atividade elétrica de uma tempestade próxima.

O topo das nuvens também é uma região bastante ativa. São muitos fenômenos peculiares nas camadas superiores da atmosfera que acompanham a fúria das tempestades sobre a Terra -inclusive a formação de antimatéria, mas isso fica para outro post. Um desses fenômenos é o jato azul, uma projeção luminosa disparada a impressionantes 100 km/s de nuvens Cumulonimbus, em direção à estratosfera. Eventos como esse, que ocorrem em altitudes enormes, só puderam ser comprovados e observados após o surgimento de tecnologias como câmeras avançadas e ônibus espaciais, portanto, o seu estudo ainda é bastante recente.

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O que é gordura trans?

O composto miraculoso que deixa sua comida mais saborosa, atraente, válida por mais tempo e… letal.

Presente nas mais diversas guloseimas e talvez a maior vilã dos nutricionistas do início do século XXI, a gordura trans é famosa pela sua alta nocividade ao organismo e utilização em alimentos industrializados. Seu efeito mais conhecido -e perigoso- no organismo é a elevação de LDL na corrente sanguínea, o que está relacionado diretamente ao aumento do risco de doenças cardíacas.

Para entendermos por que a gordura trans é tão danosa à saúde, precisamos antes esclarecer alguns conceitos da química orgânica. A palavra gordura é utilizada para generalizar lipídios compostos por glicerol e ácidos graxos, moléculas caracterizadas por possuírem uma longa cadeia carbônica com átomos de hidrogênio ligados. Chama-se de saturado o átomo de carbono que faz quatro ligações simples, compartilhando um elétron por vez com átomos de hidrogênio e o carbono seguinte. Quando dois átomos de carbono em um ácido graxo realizam ligação dupla, surge um desvio (insaturação) na cadeia e ele passa a ser classificado como insaturado.

A gordura trans é insaturada, mas não é aí que mora o problema -até por conta da boa fama da sua prima poli-insaturada. O prefixo ‘trans’ se refere ao modo como os átomos de hidrogênio estão organizados na cadeia carbônica. Enquanto que em moléculas de isomeria cis os hidrogênios são dispostos em fileira, do mesmo lado, em moléculas trans eles se intercalam entre lados opostos, aparecendo na diagonal um átomo em relação ao outro. A isomeria da molécula de gordura trans faz com que ela permaneça linear, como se fosse uma gordura saturada, e, assim, ela pode se juntar a outras moléculas iguais com mais facilidade. Os conjuntos de gordura formados, com maior estabilidade química, fazem com que o corpo tenha muito mais dificuldade em digerir gorduras trans, quando comparadas a outros lipídios. Como resíduo da digestão incompleta, quase toda a gordura ingerida fica armazenada no organismo.

A gordura trans surgiu com um processo conhecido como hidrogenação, a adição de hidrogênio a cadeias insaturadas que transforma óleos em gorduras sólidas. Isso permitiu que indústrias de alimentos deixassem seus produtos com texturas mais atraentes, e ao mesmo tempo, aumentassem seus prazos de validade. Não à toa, a utilização dessa substância bombou no século XX em alimentos industrializados e fast foods.

Os efeitos nocivos da gordura trans só foram levados a sério no começo da década de 2000, com a Dinamarca sendo o primeiro país a impor regulamentações sobre o seu consumo em 2003 e, em 2006, a obrigatoriedade da marcação em tabelas nutricionais nos EUA. No Brasil, as empresas devem declarar no rótulo do produto se ele contém gordura trans e a sua quantidade, mas são autorizadas pela Anvisa a marcar como “zero” se a quantidade for menor ou igual a 0,2g.

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O mapa distorcido que usamos todos os dias

O planisfério da Terra não é nenhuma novidade. Há séculos, cartógrafos de diversas partes do mundo trabalham para retratar os mares, continentes e ilhas à sua volta com precisão. Mas e se alguém lhe dissesse que o mapa múndi que usamos todos os dias em livros de Geografia, salas de aula e serviços de localização, falha de forma catastrófica para representar a proporção correta entre as massas de terra do nosso planeta?

A projeção mais utilizada atualmente, inclusive a escolhida pela Google no seu aplicativo de mapas, é a de Mercator. Criada no século XVI por um cartógrafo flamengo de mesmo nome, seu propósito original era facilitar a vida de navegadores por meio de uma representação precisa das distâncias marítimas entre terras. A forma oval do planisfério acaba fazendo com que o mapa seja esticado horizontalmente. O que Gerardus Mercator fez foi compensar essa distorção com outra, desta vez no sentido vertical. Por isso, até hoje, a projeção de Mercator é a mais recomendada para navegações.

Só há um problema nessa história: o aumento da área nos pólos, característico desse tipo de mapa, tende ao infinito. Deste modo, terras nas latitudes mais altas, como a Antártica, a Europa e a América do Norte, são ampliadas em dezenas de vezes o seu tamanho original. A África, por exemplo, aparece na projeção de Mercator no mesmo tamanho que a Groenlândia, quando o continente é quase 14 vezes maior que a ilha dinamarquesa. Outra comparação clássica é a do Brasil com o Alasca, que aparecem como se possuíssem dimensões iguais. O Brasil é o quinto maior país do mundo, com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados em sua extensão. O Alasca é o maior dos estados americanos, mas seus 1,7 milhões de quilômetros quadrados só chegam a um quinto da área do Brasil.

A projeção de Mercator é adotada hoje, majoritariamente, por convenção. Mas há quem diga que a escolha de manter como padrão uma perspectiva que infla os países do Norte, está ligada ao pensamento xenofóbico de Europeus e Norte-americanos de que o que está acima deve ser superior e, portanto, maior. Por esse motivo, surgiram projeções mais “solidárias” com o resto do mundo, que buscam retratar a proporção entre as áreas continentais o mais próximo possível da realidade. Uma das visões mais conhecidas é o mapa de Peters, criado por um geógrafo alemão na década de 70. Repare que as regiões mais próximas da linha do Equador são alongadas na vertical e comprimidas na horizontal, enquanto terras mais próximas dos pólos são “achatadas” para compensar a diminuição do comprimento vertical com uma largura maior. Com tantas modificações gráficas, a projeção de Galls-Peters perde para a de Mercator na representação das formas dos continentes, mas consegue retratar seus tamanhos de forma (bem) mais próxima da realidade.

Quando se fala em cartografia, não se pode dizer que um mapa é mais certo que outro. As diferentes projeções existem para justificar os diversos propósitos dos mapas para a humanidade. A projeção de Mercator não é errada, mas talvez esteja sendo utilizada de forma inadequada. Enquanto pode ser ideal para se navegar com segurança, pode-se questionar o seu emprego no ensino da Geografia, com algo que não representa com precisão, literalmente, o tamanho do mundo.

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A humanidade quebra a barreira do som há muito mais tempo que você imagina

Quando pensamos em objetos capazes quebrar a barreira, o que geralmente vem à cabeça são jatos ou foguetes militares. Mas a primeira invenção do homem a superar os 343 metros por segundo do som no ar não é nenhum produto de engenharia aeroespacial do último século. Na verdade, ela já existia há milênios antes de Cristo.

O chicote, que conhecemos desde o Antigo Egito, pode criar uma pequena onda de choque (o “estalo”) quando a sua ponta se move até duas vezes a velocidade do som. Um sonic boom, como o fenômeno é conhecido, ocorre quando as ondas sonoras à frente de um objeto são comprimidas a ponto de se unirem numa única onda, por não terem tempo de se propagar normalmente. No chicote, a energia que viaja a partir do cabo é responsável por acelerá-lo até a velocidade do som e produzir o estalo característico quando as ondas encontram o fim do fio.

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Hit ‘em right between the eyes- ou não.

Surpreendentemente, sim. As chances, no entanto, dependem de diversos fatores, como o calibre da bala, distância e região da cabeça que o disparo atinge. Enquanto a morte é certa em tiros feitos a queima-roupa ou de fuzil, disparos provenientes de pistolas ou revólveres -que costumam apresentar calibre menor- podem deixar a vítima inconsciente, mas viva.

O crânio humano não é uniforme. A espessura dos ossos que o constituem varia muito, dependendo da região em questão. Uma das regiões mais espessas é a conhecida como glabela, parte do osso frontal e localizada entre as sobrancelhas. A energia contida num disparo de pistola ou revólver calibre .45 ou inferior, é menor ou pouco superior à energia necessária para fraturar as partes mais resistentes do crânio. Além disso, essa energia é medida no momento em que o projétil deixa o cano da arma, e sabemos que ele perde parte dessa energia proporcionalmente à distância que viaja.

Mesmo que a bala venha a perfurar o crânio da vítima e chegar aos tecidos cerebrais, dependendo do ângulo do tiro, pode ser que ela não atinja os sistemas essenciais à sobrevivência, como o tronco cerebral e o tálamo. Essas estruturas se encontram bastante interiorizadas no crânio, refletindo a sua importância para a manutenção da vida no ser humano. A vítima de um tiro na cabeça que não atingisse esses tecidos, sairia com sequelas graves por conta de outras regiões do cérebro danificadas, mas com chances de sobrevida.

Há diversos casos documentados de pessoas que sobreviveram a tiros na cabeça ou danos ainda maiores, como acidentes com vigas metálicas. Em janeiro de 2011, a congressista americana Gabrielle Giffords foi vítima de um atentado em que acabou baleada na cabeça. Em agosto do mesmo ano, ela já fazia uma aparição pública no Congresso e, só em janeiro do ano seguinte, renunciou ao cargo por conta de sua recuperação.

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A estatura humana pelas gerações

O ser humano é, aproximadamente, 10 cm mais alto do que era 150 anos atrás. A explicação desse “crescimento” está nos diversos avanços tecnológicos que possibilitaram melhor nutrição e saúde da população mundial no último século-e-meio, segundo o Professor John Komlos, da Universidade de Munique.

Esse contraste na estatura hoje e 150 anos no passado é uma evidência de como a fisionomia do ser humano é afetada por fatores do meio em que ele está inserido, inclusive entre populações geneticamente homogêneas. Por exemplo, a diferença entre a altura média na Coreia do Sul, para a Coreia do Norte -onde a população passa por constantes ondas de fome- pode atingir mais de 7 cm.

Estatisticamente falando, a população mais alta do mundo reside nos Países Baixos. A média é de 1,83m para homens e 1,70m para mulheres. No Brasil, a média urbana é de 1,73m para homens e 1,61m para mulheres. Se sentiu baixinho? Saiba que, ao acordarmos, somos alguns centímetros mais altos do que no fim do dia. Esse fenômeno curioso acontece por conta da compressão dos discos cartilaginosos entre as vértebras da coluna, que a perda de água e a própria gravidade proporcionam ao longo do dia. Em outras palavras, você encolhe e cresce diariamente.

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Quanto vale um bilhão?

Se alguém lhe perguntasse quanto é um bilhão, muito provavelmente você teria a resposta na ponta da língua: um bilhão, como aprendemos na escola, é 10^9, ou 1000000000. Mas isso não é uma verdade no mundo inteiro. Muitos países do mundo utilizam outro sistema para nomear suas potências de dez: o Sistema Longo.

O Brasil, junto com a maioria dos países anglófonos, utiliza o Sistema Curto. Nele, como já sabemos, um bilhão é igual a 10^9. No Sistema Longo, no entanto, um bilhão é igual a 10^12 (o que equivaleria a um trilhão no Sistema Curto). Isso acontece porque, no primeiro, cada termo é um milhão de vezes maior que o anterior; contra mil vezes no segundo. Logo, um bilhão no Sistema Longo é igual a (10^6)^2, isto é, um milhão vezes um milhão, que é igual a 10^12. Para visualizarmos a lógica do Sistema Curto, devemos trabalhar com potências de mil ao invés de um milhão. Um bilhão “curto” é igual a (10^3)^3 ou 10^6*10^3.

Etimologicamente falando, a Escala Longa faz mais sentido que a Curta. Os afixos que precedem essas nomenclaturas, no Sistema Curto, existem por mera convenção; já no Sistema Longo, eles correspondem ao valor dos expoentes das potências a que se referem. O prefixo bi, na palavra bilhão, se deve ao fato de descrever um número igual a (10^6)^2 . Tri, em trilhão, faz referência ao expoente 3 em (10^6)^3, e assim vai.

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